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Como Se Fosse A Primeira Vez

Iran Melo

Peter Drucker sugeriu uma vez que as empresas identificassem todos os funcionários que nunca cometeram erros e OS DEMITISSEM todos. “Jamais confie em alguém que não comete erros”, completou.

 O que nos leva a cometer os mesmos erros mais de uma vez, como se fosse a 1ª vez? Vivemos tão no “automático” que os repetimos com tanta frequência, e de forma tão natural, que não nos damos conta dos impactos negativos que eles produzem em nossas vidas.

Alguns causam danos só a você como dormir menos horas do que o necessário, gastar mais dinheiro do que é preciso, alimentar-se muito mal e às vezes como um bicho, não praticar exercício ou, ainda, esforçar-se menos no trabalho, produzir aquém do que poderia e perder tempo com coisas inúteis, como por exemplo assistir a programas de TV absolutamente sem sentido e sem nada que agregue algum benefício à sua vida.

Outros erros trazem consequências ruins para a coletividade e eles se repetem no dia a dia, às nossas vistas. Jogar lixo e detritos em via pública, despejar nos rios eletrodomésticos, mobílias e até animais, vivos e mortos, arremessar através das janelas do seu carro ou ônibus, copos, garrafinhas plásticas e embalagens de sorvetes e salgadinhos entupindo as galerias, impedindo o curso natural dos rios. E tudo isso se repete ano após ano. Quando vêm as chuvas, o caos se estabelece com os alagamentos, mortes, pessoas desabrigadas entre outras coisas. O fato curioso é que você mesmo reclama do descaso do poder público e dos outros, mas faz questão de ignorar que é parte dele.

E os erros vão se repetindo como se fosse a primeira vez. Você sabe que haverá olhares de reprovação e críticas aos seus atos, mas ainda assim nada faz para mudar sua atitude e comportamento.

Mas, é no local de trabalho onde as ocorrências são maiores, mais intensas, significativas e muito mais dolorosas. Perder documentos, esquecer prazos, deixar de fazer sua parte num determinado processo, não analisar com critério a concessão de um crédito ou não programar um pagamento importante, o leva quase sempre a ter que arcar com as consequências das suas faltas e ineficiência por não ter agido de acordo, pelo não aprendizado das lições deixadas por ocorrências similares e repetidas, pela sua incapacidade de corrigir as rotas, mudar o caminho quando era preciso e esperado. Tais consequências são quase sempre a demissão ou o afastamento de um determinado setor ou função. E isso afeta profundamente sua autoestima.

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As empresas não demitem ou punem alguém por ter cometido o mesmo erro uma ou duas vezes, mas sim pelas repetidas vezes que ocorrem. Tais repetições revelam a sua incapacidade para lidar com imprevistos e prevê-los antes que ocorram, denotam o seu despreparo para ocupar a função que lhe foi destinada. Erros similares, situações idênticas, mesmos resultados e fatos relacionados denunciam a falta de assimilação e aprendizado passíveis da terrível consequência que é a demissão.

Nenhum de nós está imune a cometer erros, os mesmo erros, mais de uma vez. Você, eu e tantos outros temos tendência em acreditar e apostar que apenas pequenas mudanças no planejamento, ou a ajuda de alguém aparentemente mais preparado poderá evitar a repetição dos erros. Será? Receio que não. E tenho motivos para pensar assim. Nos dois últimos meses cometi os mesmo erros duas vezes acreditando que uma simples mudança de pessoal seria a solução. Não deu certo, e quando isso ocorre a dor é dupla: financeira, ainda que menos importante e a dor da frustração por não ter conseguido o resultado desejado.

Um dos maiores indícios de que você não aprende com os erros é quando age como se não fosse o responsável por ele, ou como sendo parte do fracasso jogando para outros a culpa pelos estragos provenientes dos erros cometidos. Se você tinha uma tarefa para ser executada, mas não dominava os pormenores para fazê-la e delegou o trabalho, ou se havia um prazo que não se cumpriu, a quem cabe a responsabilidade? Certamente não é a quem você delegou, pelo menos não totalmente. Reconheça que a falta de acompanhamento de sua parte, a sua opção na escolha da pessoa e a sua incapacidade de prever a tempo possíveis erros, foram determinantes para a ocorrência.

Eis aqui um processo simples em três etapas sequenciais que podem ajudar a dar adeus aos erros repetidos, pelo menos em grande parte deles.

  • A primeira e mais importante lição: Reconheça e aceite que errou. Muitas vezes você repete os mesmos sem sequer perceber, mas isso pode ser explicado pela não aceitação de que você erra pelo medo de uma possível punição e o temor do que pensarão os seus colegas acerca de você. Resumindo, é o medo do julgamento e das consequências.
  • Preste atenção ao que os outros falam sobre você. Quase sempre você ignora as críticas que lhes são lançadas vendo-as como demonstração de “inveja”. Você sempre acredita que ninguém melhor que você para se avaliar. A verdade é que você, como a grande maioria das pessoas, ignora por completo que há uma parte sua que lhe é desconhecida. Tentar descobrir que partes são estas é um bom começo a partir das críticas que lhe são lançadas.
  • Esteja atento para as oportunidades. Pode parecer controverso, mas os erros também são fontes de oportunidades como, por exemplo, tentar descobrir as opções que você tinha à mão quando o erro foi cometido. Quando pensamos em gestão de uma forma geral, é o que chamamos de custo da oportunidade. Ao optar por decidir seguir um caminho e não o outro, você estará deixando de lado as vantagens que poderia ter tido se tivesse escolhido o outro caminho.

Saiba que ao cometer um erro uma vez, isso não significa que vai cometê-lo outras vezes. O que não pode ocorrer é você fechar seus olhos para as experiências vividas no passado, seja de erros ou acertos. Mesmo as coisas bem feitas podem ser melhoradas muitas e muitas vezes. Preste atenção nos erros cometidos por outros, erros similares, experiências que não deram certo a se permita aprender as lições de tais atos.

Por fim lembre-se: “Errar é humano”, já diz o ditado. Portanto, permita-se errar, mas, não deixe passar as oportunidades de aprender a parar de repeti-los através da construção de uma prática constante de rever o passado para construir o futuro e presente.

Sobre o autor

Iran Melo

Iran Melo

Iran Melo é Administrador de Empresas e MBA em Finanças/Controladoria, Responde pela Controladoria no Grupo Handara. Trajetória profissional construída em empresas como Mendes Júnior S/A, Souza Cruz, Votorantim, Prolane S/A, HandaraJeansWear, MR2 Menswear e Grupo Handara/Bemt (atual). Suas formações e especializações em Coaching, Mentoring e PNL, assim como sua expertise em Auditoria Empresarial conferem a ele as credenciais necessárias para disseminar e compartilhar o conhecimento e as boas práticas de gestão. Sua missão está fundamentada no compromisso em contribuir e inspirar pessoas a reconhecer e desenvolver suas habilidades em benefício de si mesmas e de outros através do amor, compaixão, integridade, ética, sabedoria e ausência de julgamento.

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