Blog Inteligência Emocional

Só as coisas ruins acontecem rapidamente.

Foto do desastre ambiental ocorrido em Mariana - MG.
Iran Melo

Não saber esperar para colher o fruto da semeadura, tem levado muitas pessoas à frustração e ao abandono de seus sonhos.

Nota: Texto de autoria de Gordon Livingston, M.D., extraído do Livro “Velho Muito Cedo, Sábio Muito Tarde”

Uma das fantasias comumente alimentadas pelas pessoas que querem mudar de vida é que essa mudança pode ser conseguida rapidamente. Elas acham que, assim que “sabem” o que fazer, serão capazes de botá-lo em prática imediatamente. E ficam muito perturbadas quando isso não acontece.

Os comportamentos que mais resistem à mudança são os que envolvem vícios de alguma natureza: bebida, tabagismo, dependência de drogas. Há algum processo químico que dificulta nossos esforços para fazer o que sabemos ser melhor para nós. Os sintomas que surgem quando se tenta abandonar uma substância indesejada confirmam a crença de que se está sob o domínio de um desejo físico que supera a força de vontade e requer programas especiais para ajudar a derrotá-lo.

E quanto aos outros vícios, como os maus hábitos alimentares e o jogo (sexo e compras foram acrescentados recentemente) Aqui a dependência é menos obviamente química, mas qualquer um que tenha tentado controlar a ingestão de alimentos ou o desejo de fazer uma aposta lhe dirá quanto isso pode ser difícil.

O que está em ação nesses casos é o poder psicológico do hábito.

As características que fazem com que cada um de nós seja diferente dos outros raramente são produtos de uma escolha racional. Às vezes, é claro, nós realmente escolhemos desenvolver práticas saudáveis. Exercícios físicos regulares podem se tornar uma rotina que aumenta o nosso tempo de vida. Os maus hábitos, porém, tendem a se insinuar com o tempo e a se tornarem extremamente resistentes à mudança, até mesmo quando ameaçam destruir nossas vidas.

Entre os comportamentos desajustados que prejudicam a vida está a maneira como habitualmente nos relacionamos com os outros. Os traços que exibimos para as outras pessoas determinam fortemente nosso sucesso em formar e manter relacionamentos. A maioria desses traços não resulta de uma escolha consciente. São características inatas ou formadas por nossas experiências de infância. Como existem abaixo do nível do consciente, esses traços são resistentes à mudança, mesmo quando, com toda a evidência, não estão nos fazendo bem.

É óbvio que todo processo em busca de mudança – por menor que seja – dos nossos padrões estruturados de pensamento e comportamento, leva tempo e exige esforços significativos para aumentar a nossa compreensão, reavaliar comportamentos e tentar novos métodos. O mesmo se aplica a todas as outras características pessoais e a padrões habituais que, apesar de não nos fazerem bem, continuamos repetindo: impulsividade, busca exclusiva do prazer, narcisismo, irritabilidade e necessidade de controlar os outros. Imaginar que esses traços possam ser mudados da noite para o dia, assim que tomamos consciência deles, é ignorar a força arraigada do hábito e a lentidão com que traduzimos o conhecimento adquirido em comportamento.

Quando pensamos em coisas que alteram a nossa vida instantaneamente, quase todas são ruins: telefonemas no meio da noite trazendo más notícias, acidentes, a perda do emprego, o diagnóstico de uma doença incurável, a morte de entes queridos. Além de ganhar na loteria, é difícil imaginar muitas outras boas notícias repentinas. Quase todos os processos que trazem felicidade à nossa vida requerem tempo, geralmente muito tempo: aprender novas coisas, mudar comportamentos antigos, construir bons relacionamentos, criar filhos. É por isso que a paciência e a determinação estão entre as maiores virtudes da vida.

Em uma sociedade baseada no consumo, o conceito de gratificação instantânea permeia praticamente tudo. A propaganda nos apresenta continuamente imagens sugerindo que a felicidade pode ser conquistada pela posse de bens materiais. Pessoas atraentes cercadas de amigos aparecem mais felizes, passando a mensagem de que podemos ser como elas se comprarmos o carro certo, a casa certa, se bebermos a cerveja adequada. Uma consequência desses anúncios é produzir a insatisfação com o que temos e com a nossa aparência. Outra, mais grave ainda, é sugerir a existência de um antídoto rápido para o nosso descontentamento: gastar dinheiro. Não é de admirar que um número expressivo de pessoas estejam endividadas.

Qualquer espectador regular de televisão pensa que estamos sendo assolados por uma epidemia de depressão, alergias, artrite e doenças gastrointestinais. Cada espirro, cada dor de cabeça, prisão de ventre ou dor no corpo tem a promessa de alívio imediato pela ingestão de um comprimido.

Talvez a invenção do automóvel, do avião ou do telefone estejam na origem de nossa pressa. O fato é que nos tornamos pessoas cada vez mais impacientes, buscando respostas imediatas para todos os problemas.

Somos também estimulados a acreditar que uma alimentação adequada, exercícios físicos e o uso adequado do Botox e da cirurgia plástica podem retardar consideravelmente o processo de envelhecimento. Essa busca moderna da fonte da juventude traduz a falta de aceitação do nosso destino comum. Existe um esforço desesperado e artificial para tentar eliminar as evidências graduais da nossa “mortalidade”.

Uma das coisas que nos caracteriza como seres humanos é a capacidade de projetar o futuro. Temos então duas escolhas: ou resistimos ao processo natural de envelhecimento e nos deprimimos com as perdas ou nos harmonizamos com ele e procuramos vivê-lo com leveza, usufruindo suas conquistas. Se nos sentimos desvalorizados à medida que envelhecemos, nossa vida se torna um processo desalentador, marcado por tentativas desesperadas de parecer e agir como um jovem, desprezando as compensações do conhecimento e da sabedoria que deveriam resultar da nossa experiência acumulada.

Pensem nas revistas mais populares que se encontram em todos os salões de beleza e consultórios médicos. Nossa atenção é atraída pelas imagens cheias de glamour que povoam suas páginas. Se são essas as pessoas que valorizamos e até invejamos, quem somos nós, então? O que significa ser um simples mortal anônimo em um mundo preocupado com a fama seja ela merecida ou não?

O processo de construção sempre foi mais lento e mais complicado do que o de destruição. Em certa época da minha vida, fui soldado. Por incrível que pareça, o que me afastou do Exército não foi a repulsa a explodir coisas. Na verdade, tive medo de gostar demais disso. O que compreendi mais tarde, e me causou muito desagrado, é que matar é uma tarefa fácil e medíocre demais se a compararmos com a preservação da vida. O nosso futuro comum será determinado pela luta entre os assassinos e os pacifistas. É sempre possível encontrar justificativas, muitas vezes religiosas, apara matar. Mas, como tudo o que acontece na vida, é a ação que nos define, não as razões que usamos como explicação.

Essa tensão entre simplicidade e esforço se resolvem na nossa vida diária. Se estivermos convencidos de que as transformações se dão de forma repentina, se acharmos que a felicidade reside nos sucessos espetaculares, é menos provável que venhamos a nos empenhar na tarefa mais difícil e menos satisfatória, a curto prazo, de nos tornarmos as pessoas que queremos ser.

Portanto, ai está o papel do tempo, da paciência e da reflexão em nossa vida. Se acreditarmos que é melhor construir do que destruir, melhor viver e deixar viver, melhor ser do que aparecer, então poderemos ter a possibilidade de, lentamente, encontrar um caminho satisfatório na vida, esse lampejo de consciência entre dois grandes silêncios.

FOTO – desastre ambiental ocorrindo em Mariana – MG. retirada da internet.

Sobre o autor

Iran Melo

Iran Melo

Administrador de Empresas e Palestrante. Expert em Auditoria Empresarial, Comex e Logística Internacional, atua como gestor na MR2 Menswear em em Fortaleza - CE. Suas formações em Coaching, Mentoring e PNL lhe dão as credenciais necessárias para disseminar e compartilhar o conhecimento e as boas práticas de gestão. Sua missão está fundamentada no compromisso em ajudar e inspirar as pessoas a reconhecer e desenvolver suas habilidades em benefício de si mesmas e de outras pessoas através do amor, compaixão, integridade, ética, sabedoria e ausência de julgamento.

Deixe umComentário

1 Comentários