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Mentiras. Qual o limite nas entrevistas de emprego?

Entrevista de emprego1
Iran Melo

Uma das coisas mais intrigantes para mim é a facilidade que tem algumas pessoas de falar com propriedade mentiras sobre si, e suas conquistas profissionais, no momento de uma entrevista de emprego. Teoricamente, a pessoa, ou pessoas, aquela que entrevista e que está diante do candidato, é capacitada para detectar sinais de incoerência nas respostas às perguntas feitas, ou no discurso livre sobre suas competências, por exemplo. Nem sempre é possível juntar as peças, e o candidato acaba ficando com a vaga.

Há relatos de pessoas que dizem se preparar com afinco e disciplina para uma entrevista de emprego quando as perspectivas são excelentes, quando são empresas “referência” ou quando a remuneração é acima do que oferece o mercado. Nas pequenas empresas, gestores despreparados são alvos fáceis de serem enganados, mas não por muito tempo.

Eis uma pequena história verídica.

Há alguns anos, um candidato conquistou uma vaga aberta para ocupar uma função estratégica num cargo de gestão. Pela importância, necessidade e urgência de um profissional qualificado, contratamos os serviços de uma grande empresa de recrutamento na certeza de que as possibilidades de erros seriam menores, afinal essa é a competência das empresas de headhunter.

Dos três que nos foram apresentados, um se destacou por ter em seu currículo forte atuação na área de nossa necessidade, inclusive “trabalhado” na maior empresa do mundo em seu segmento, e tinha o mesmo tipo de operação que estávamos iniciando. Parecia mágico. E claro, ele foi o escolhido, não obstante o alto custo da operação, como trazê-lo de outro estado, dar moradia por um período até a adaptação entre outros custos.

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A necessidade era tanta que alguns procedimentos foram ignorados, tenha sido pela pressão do principal dirigente da empresa para fechar a vaga, pelo entusiasmo do RH na possibilidade de ter um profissional de tal nível em seu quadro, ou pelo excelente Currículo preparado e apresentado pela empresa de serviços contratada, o que por si só era, ou deveria ser, sinônimo de confiança e segurança. Não havia “QI” da empresa contratante. Maravilhoso não?

Já nas primeiras reuniões para implantação dos processos da nova operação, inclusive do sistema ERP de gerenciamento que constava como uma de suas competências, o silêncio e falta de iniciativa desse novo contratado não passou despercebido para alguns. Quando resolvia opinar, era sempre do contra e nunca apresentava uma alternativa às propostas apresentadas por outros gestores, coparticipantes da nova operação.

Decorridos pouco mais de 45 dias, um dos gestores resolveu fazer uma checagem acerca do passado desse dito profissional, de forma sigilosa com o conhecimento apenas do presidente da empresa. As informações obtidas como cargos e funções, período e locais de trabalho eram quase que completamente falsas. Tudo comprovado através de documentos obtidos das empresas por onde ele passou. Naturalmente que o caminho foi a demissão.

Chamados a uma reunião, a empresa de serviços através de seu executivo desculpou-se, disse não ter palavras diante dos fatos e documentos, e devolveu o valor cobrado, além de se colocar à disposição para “caçar” um novo talento sem ônus para a nossa empresa, não importando para que função ou cargo.

Para nossa empresa, apesar do dissabor e decepção, nada foi tão mais importante quanto poder contribuir para que a empresa de serviços revisse suas formas de avaliar o passado de um candidato, envidando todos os esforços para não cometer o mesmo erro outra vez e jogar seu nome na lama. Em tempos de redes sociais e informação online, os riscos são imensos.

Quero colocar umas questões para comentários por parte de vocês que leem nossos posts.
  • Qual seria a responsabilidade da empresa de serviços pela contratação desse profissional que teve seu Currículo e Apresentação elaborados por ela? Apenas devolver o investimento e fazer gratuitamente uma nova seleção?
  • Você confiaria nova contratação a esta mesma empresa?
  • Você teria demitido o tal funcionário por justa causa? Que outras opções você daria?

Participe, comente, opine.

Sobre o autor

Iran Melo

Iran Melo

Administrador de Empresas e Palestrante. Expert em Auditoria Empresarial, Comex e Logística Internacional, atua como gestor na MR2 Menswear em em Fortaleza - CE. Suas formações em Coaching, Mentoring e PNL lhe dão as credenciais necessárias para disseminar e compartilhar o conhecimento e as boas práticas de gestão. Sua missão está fundamentada no compromisso em ajudar e inspirar as pessoas a reconhecer e desenvolver suas habilidades em benefício de si mesmas e de outras pessoas através do amor, compaixão, integridade, ética, sabedoria e ausência de julgamento.

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5 Comentários

  • Infelizmente isso acontece, ou aconteceu com muitas empresas que buscam profissionais na área de gestão.
    Na minha opnião, vejo muitos donos de empresas que acabam tomando a decisão, mesmo que o RH não aprove candidato. Vejo o Rh muito carente de decisão nas empresas !
    Respondendo a pergunta, Demissão com os direitos de contrato. Afinal, a empresa não teve a competência para a seleção !

  • De fato, muitos candidatos se passam por líderes em projetos nos quais eram meramente liderados.

  • Tenho comigo que quem mente no início, mente no fim! Provavelmente perdi oportunidades, mas não digo que sei quando não sei. Digo que posso aprender! Esta é a minha opinião e não simplesmente uma resposta pronta para ser “postada no Linkedin”.

  • Concordo com você, mas também existem pessoas que adoram “ouvir” contadores de casos… participei de uma entrevista em uma empresa onde o diretor me disse: o que eu mais quero ouvir de você, você não disse ainda… que você faz e acontece…
    Em determinados casos, ele vai cruzar com uma pessoa que entra na dele e conta uma série de histórias e ele se encanta.
    Acredito que o que falta para estas pessoas é maturidade, penso que uma entrevista de emprego tenha que ser uma atividade séria, onde o candidato mostre sua postura e conte seu histórico profissional, cases de sucesso sim, mas cada empresa tem um sistema diferente, segmentos diferentes que a gente só pode se mostrar quando está atuando e não dizer que já dirigi uma Ferrari que talvez nem caiba na situação atual.

  • Com toda a certeza o primeiro passo da empresa, seria checar a veracidade da documentação do profissional antes de elaborar o curriculum.
    Neste caso postado aqui a empresa de serviços pela contratação, deveria devolver todo os gastos com a contratação.
    Eu jamais faria uma nova contratação por intermédio dessa empresa, não mais me inspiraria confiança. E demitiria o contratado por justa causa (falsa ideologia ou falsificação de informações).